· Zeca de Penedono
· Josef Estaline
· Franklin Roosevelt
· James (segurança da CIA)
· Sergey (segurança do KGB)
INDUMENTÁRIA:
· Zeca de Penedono – fato, gravata, sapatos.
· Franklin Roosevelt – IDEM
· James - Fato, gravata, óculos de sol, auricular.
· Estaline – sobretudo, boina, bigode.
· Sergey- sobretudo, óculos de sol, boina, metralhadora.
CENÁRIO:
Nota: As personagens Estaline e Sergey, falam com um sotaque de leste, E as personagens Roosevelt e James falam com um sotaque americano.
(A emissão vai para o ar. Só se encontra Zeca de Penedono Sentado a meio da mesa. Encontra-se a ler uns papeis, Quando é surpreendido pelo genérico do seu programa.)
Zeca – Boa Noite. Vinte anos após a queda do muro de Berlim, a TV Parvónia orgulha-se de apresentar uma entrevista histórica: Entrevistaremos os dois homens mais poderosos durante o período de Guerra Fria. Como conseguimos, não sei, mas conseguimos. O nosso primeiro convidado vem da longínqua Rússia, quer dizer, da (diz com muita dificuldade) União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Por favor, aplaudam, senão a Tcheka acaba comigo. Aplaudam o “louco de Moscovo”, quer dizer, “o pai dos povos” José Estaline!
(Entra Estaline e o seu segurança a dançar e a cantar o kalinka.)
Zeca – Antes de mais, boa noite. Já agora, quem é esse gorila?
Estaline – Antes de mais, boa noite… eu disse boa noite… mas porque raio ninguém me respondeu?
Zeca – É natural, estamos numa televisão…
Estaline – Não me interessa. Estivéssemos numa televisão, estivéssemos seja onde for. Quando digo boa noite é para dizer boa noite, não, melhor: É para dizer: “Boa noite, ó grande Estaline”.
Zeca – Pronto. Se você se sente ofendido, digo em meu nome, e em nome da TV Parvónia “Boa noite, ó grande Estaline”.
Estaline - Assim está melhor. É que se não, eu tinha de nacionalizar esta televisão e purgá-los um por um!
Zeca – Mas com isto tudo, não respondeu á minha pergunta: Quem é esse gorila que está aí?
Estaline – Este aqui é o Sergey, o meu segurança.
Zeca – Então, senhor Estaline, ponto para esta entrevista?
Estaline – Uma perguntinha mais: Onde está o Mariconcio?
Zeca – Aqui quem faz as perguntas sou eu! Qual mariconcio?
Estaline – Não sebes quem? O americano…
Zeca – Ah! Pois, deve estar a referir-se ao senhor presidente dos EUA, não se preocupe, já o apresentamos…
Estaline – Acho melhor não o apresentar, se não quer ver os seus estúdios destruídos. Podíamos estar aqui a falar de temas interessantes, como a democracia na URSS…
Zeca – Lamento, mas tenho de apresentar o meu outro convidado desta noite. Mas pode sentar-se, senhor Estaline. Bem, vamos apresentar o nosso outro convidado. Vem da terra do tio Sam, e basicamente é ele quem manda naquilo tudo. Um aplauso para Franklin Roosevelt… Senhor Roosevelt…
Estaline – Eu bem disse que ele não vinha. Aqueles capitalistas ultraliberais são uns cobardes.
James – (Entrando, com a mão no auricular) Nada de bombas, nada de armas… Só um parvalhão soviético com uma metralhadora de plástico. Pode entrar!
(Roosevelt entra sob o hino dos EUA. Toda a gente levanta-se, excepto Estaline. todos olham para ele.)
Zeca – Mas então o senhor não mostra um pouco de respeito pelos EUA?
Esteline – Eu não gostar de McDonald s, não gostar de hambúrguer, eu não gostar de Coca-Cola. Eu não gostar de nada que venha daquele antro!
Zeca – Bem, cada um tem direito às suas opiniões. Mas, antes de mais, queria dar as boas-vindas ao nosso convidado.
Roosevelt – Good night, América!
Zeca – Isto não está a ser transmitido para os EUA, mas sim para a Parvónia!
Roosevelt – Ó, isso. Parvónia? Onde estou afinal? Eu pensava que vim ao Saturday Night live!
Estaline – Nããão, estás mesmo na Parvónia, o sítio ideal para ti! Hehe!
Roosevelt – Não sei se reparaste, mas estás aqui comigo!
Estaline – Eu estou aqui por engano! Estava e vi meia dúzia de pessoas parvas, e pensei que era o 1º de Maio!
Zeca – Não pude deixar de reparar, que antes de você entrar, esteve aqui um segurança seu…
Estaline – Eu não disse… (junta todas as pontas dos dedos da mão esquerda) muito medinho…
Roosevelt – (quase se atirando a Estaline) Eu digo-te já o medinho, seu grandessíssimo… Bond, James Bond, ataca!
Estaline – (olha lentamente, e Sergey também, para James Bond, enquanto o segurança aponta a arma) Deves pensar que metes medo a alguém!
Zeca – Tenham calma os dois. Podemos começar com o debate?
Estaline – Antes de começarmos a entrevista, queria oferecer ao senhor Zeca uma garrafa de vodka (tira uma garrafa de plástico do bolso) Pode estar numa garrafa desadequada, mas garanto-lhe que é o melhor de União soviética!
Zeca – Vodka, fixe! Posso experimentar agora?
Estaline – Claro que sim!
Roosevelt – (á parte) Graxista!
Zeca – (bebe um gole) Mas isto… é água!
Estaline – Qual água, qual quê! Isto é vodka. Do bom, do russo…
Zeca – Desculpe, mas sei o que provei. Isto é água da torneira!
Estaline – (Chegando-se á beira do entrevistador) Olhe a ver se quer que eu lhe ponha plutónio nessa água! E despache-se com a entrevista, que eu tenho purgas, quer dizer, coisa a fazer.
Zeca – Pronto, pronto. Vamos começar com a entrevista. Primeira pergunta: Como tiveram a infeliz ideia de dividir a cidade de Berlim com um muro?
Roosevelt – Não fui eu que tive a ideia, (aponta para Estaline) Foi ele!
Estaline – Mas Foste tu que começaste! Seu ditador do capital!
Roosevelt - Olha quem fala! Seu assassino!
Estaline – (levantando-se) A quem chamaste assassino?
Roosevelt – A ti! (levanta-se)
(os seguranças são chamados a intervir, amarrando os dois presidentes)
Roosevelt – Tu larga-me, James, tu larga-me! Eu vou-me a ele!
Estaline – Eu vou dar cabo dessa cara de porco, seu capitalista, Traidor da classe operária!
Zeca – Vou pedir aos seguranças que amainem os senhores presidentes, e vamos efectuar a segunda questão a vossas excelências. Concordam com este clima de coexistência pacífica?
Estaline – A minha mãe o quê?
Zeca – Desculpe, mas ninguém aqui ofendeu a sua mãe…
Estaline – Tem a certeza? Eu bem vi, senhor Zeca, e ouvi o senhor presidente americano a dizer baixinho: “ mother fucker”.
Roosevelt – Eu acho que você já deve estar um pouco cansado, digo mais, deve estar insano, para já estar a ouvir vozes…
Estaline – (levanta-se) Você chamou-me tolo? Eu bem ouvi você chamar nomes á minha mãe!
Zeca – Bem, se ele lhe chamou isso, não deveria ter qualquer intenção em ofende-lo.
Estaline – Mas teve, que eu bem sei…
Zeca – Bem, acabemos com esta discussão e passemos á próxima pergunta: Qual é o estado da produção nuclear nos dois países?
Estaline – Nós temos um a bomba que dá para rebentar com uma cidade tipo Los Angeles.
Roosevelt – Ai é? Nós temos uma bomba capaz de rebentar com uma cidade como Leninegrado!
Estaline – Ai sim? Então nós temos uma bomba capaz de rebentar com uma cidade como Nova Iorque!
Roosevelt – Nós temos uma bomba capaz de rebentar com a Sibéria!
Zeca – Nós já sabemos que ambos os países têm um arsenal forte.
Robert – Mister president! Tem um telefonema!
Roosevelt – Então passa a chamada (atende o telefone) Está… o quê? Estão a pintar a lua de vermelho? Não faz mal… Pega num pouco de tinta branca e escreve Coca-Cola. Está bem, xau.
Zeca – Então o que se passa?
Roosevelt – Foi aí o seu amiguinho da vodka, queria pintar a lua de vermelho…
Estaline – E não é uma boa ideia?
Roosevelt – Não, mas a sua sorte é nós sermos mais inteligentes que vocês.
Zeca – Ultima questão - Consideram a possibilidade de invadir Parvónia?
Estaline - Só se for para arranjar trolhas para construir outro muro!
Roosevelt - Outro muro só se for à volta do país, porque aquilo não faz falta a ninguém!
(riem-se todos)
Zeca - Afinal sempre concordam em alguma coisa!
Roosevelt – O quê? Eu não concordo com o muro?
Zeca – Porquê?
Roosevelt – Ah, não sei, só porque esse aí concorda!
Estaline – Esse aí tem nome!
(levanta-se, juntamente com Roosevelt e começam a agredirem-se mutuamente, entre os tiros dos dois seguranças, e diz Zeca, berrando , pondo-se à frente de todos)
Zeca – Bem, acabamos esta emissão histórica. Voltará a ver-nos, provavelmente quando eu não tiver mais nada que fazer, e quando o estúdio for remodelado! Até um…
(é agredido involuntariamente por Estaline e Roosevelt, e cai no chão)
Roosevelt – AH matámos o homem! Vamos tomar um café?
Estaline – De acordo, mas tu pagas!
(Roosevelt põe a mão no ombro de Estaline, e saem em grande galhofa)
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