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terça-feira, 19 de outubro de 2010

JOSÉ E INÊS I: UMA HISTÓRA DAS ARÁBIAS

CAPÍTULO I



         Era uma vez um rapaz chamado José. José tinha dezassete anos, dois grandes sensuais olhos azuis, pele esbranquiçada e cabelo castanho e curto. Era um rapaz um pouco sensível, romântico, forte e convicto. Nada fazia abalar a sua alegria de viver. Os seus amigos e família eram os seus ídolos, eram as coisas que o faziam ainda viver. José era um rapaz normal, comparado com os da sua idade, mas com uma pequena diferença. Tinha uma paixão enorme por aventura e acção. Por falar em paixões, José estava apaixonado. A eleita por José era uma rapariga chamada Inês. Era morena, tinha olhos azuis, e, segundo José, linda de morrer. Além disso, Inês era uma rapariga com um coração de ouro, sempre pronta a ajudar os amigos, era divertida, inteligente, esbelta e um pouco sensível. Mas, infelizmente, o seu amor não era correspondido, pois, dizia ela " O José não faz o meu género". Na verdade, ela não sabia que ele gostava dela, mas era-lhe sempre perguntado pelas amigas se ela gostava dele, pois, nas aulas, ela olhava fixamente para o rapaz, e os dois mostravam ser grandes amigos. Por mais que José tentasse, não conseguia esquecer Inês. E acreditem, os esforços que ele fez foram mais que muitos.
  Um dia, o sol acabara de nascer, as horas passavam, enquanto José dormia profundamente. A mãe, apressada, por causa do seu trabalho, grita:
    -José, Olha o pequeno-almoço!
   O rapaz, apressado e assustado, acorda e olha para o relógio, e vendo que já podia estar atrasado para as aulas, corre rapidamente para a casa de banho, toma um banho em velocidade cruzeiro e lava rapidamente os dentes. Chegando á cozinha, José pega em duas sandes de chouriço e sai disparado de casa.
   José atravessava a cidade a uma velocidade alucinante, até que chega ao bar da escola, e percebe que os seus amigos e colegas de turma ainda estavam lá, e que toda essa correria tinha sido em vão, pois ainda não tinha tocado a campainha para as aulas José aproveita a ocasião para cumprimentar e conversar com os seus amigos. 
 Durante as aulas, a escola onde José e Inês estudavam recebe a notícia que alunos de uma escola iraquiana vêm á escola em viagem de estudo, na companhia do seu director, Abdul Ali, ex-deputado conceituado e actual membro do governo iraquiano as reacções dos alunos da escola não se fizeram esperar e, no bar da escola, sítio onde os amigos de José e Inês se encontram, eles têm uma conversa sobre o assunto:
 - Vou ver se alguma iraquiana faz a dança do ventre só para mim...- diz Eduardo, um dos amigos de José.
 - Eu mal posso esperar é para jogar uma partida de futebol contra eles - dizia Coutinho, excitado - é que depois de termos perdido com o Iraque para os Jogos Olímpicos... 4 a 2... ainda jogava lá o Cristiano Ronaldo...
Coutinho era o melhor amigo de José. Era, segundo José "O irmão que eu nunca tive", pois era o seu confidente, e era ele que o defendia contra as maldades do mundo. Era um conhecedor exímio de futebol, assim como José, aliás, ele jogava na equipa da sua cidade quando esta ganhou o campeonato distrital.
 - Eu cá não acho boa ideia os iraquianos virem cá - dizia Marley, um dos amigos mais cépticos, mas dos melhores amigos de José - é que um deles pode ser terrorista e...
 - Deitar a escola abaixo? Eu até pagava-lhes para fazer este serviço - exclamava Lucas, o amigo mais brincalhão de José - mas, desde que eu não esteja dentro...
 - Já os estão a chamar terroristas, já estão a pôr rótulos nas pessoas! - Exclamou José indignado - no Iraque é como no resto do mundo, há pessoas boas e más e...
 Já perceberam o que se passou. Nesse preciso momento, entraram no bar Inês e as amigas e José, como se pode ver, parou o seu raciocínio por causa de tanta beleza a entrar por aquele bar dentro, e ficou babado especado a olhar para ela. Coutinho, percebendo o que ele estava a fazer, diz-lhe:
 -Ó José, ainda estás apaixonado por ela? Ela não te merece, desiste...
 - Eu não gostava de ser "cortes"- disse Marley - mas o Coutinho tem razão...
 - Achas? - Exaltou-se José - Eu lá gosto dela, nunca gostei...
 - Aldra!!! - desse Eduardo - ou queres que eu  diga á Inês que foste tu que escreveste aquela carta para ela no dia dos namorados ?
 - Pronto, pronto, admito que tenho um fraquinho por ela... mas só um fraquinho...
 - Ah!!! Assim já nos entendemos!!!- Disse-lhe Coutinho.
 Do outro lado daquele bar, Inês e as amigas estavam a conversar até que Inês olha para José e vê-o a olhar para ela e diz:
 - Ele vai estar ali muito tempo? Daqui a pouco, dou-lhe uma fotografia...
 - Olha quem fala!!! - diz Vera, a melhor amiga de Inês -  Quantas vezes tu olhaste para ele assim?
 - Eu? - Revolta-se Inês - Quando é que me vês olhar assim para ele, parece um cãozinho abandonado...
 - Olha, ainda ontem te vi...
 - Mentira!!! 
 Naquele momento tocou para as aulas e  José aproveitou esse momento para meter conversa com Inês:
 - Inês, aulas!!!
 - Vai tu - disse-lhe a rapariga - ou pensas que és o meu pai?
 - Desculpa...
 Todos foram todos para as respectivas salas. Na sala de aula, enquanto a professora dava explicações sobre a matéria dada, Inês, com a cabeça apoiada no braço, olha para  a mesa de Coutinho e José de lado. Vânia percebe isso e provoca-a:
 - Estás a olhar para o teu amorzinho?
 - Quem?
 - Olha-me esta, quem. O José, claro!!
 - Eu não gosto dele...
 - Aldra!!!
 - Se voltas a dizer isso, mato-te!!! - disse-lhe Inês, baixinho.
 - O que disseste?
 - Nada, nada...
 - Acho bem...
 Do outro lado, José percebera que Inês estava a olhar para ela, e com as mãos, ajeita o cabelo, e diz a Coutinho:
 - Ela está a olhar para aqui, Coutinho. Estou bem?
 - Tu estás sempre bem, meu bichinho...
 - Meu quê?
 - Meu menino, Zé, Meu menino...
 O tempo passou, a campainha tocou e todos foram embora, para as respectivas casas. José chegara á paragem de autocarro, onde já estava Inês. José receava, por vezes, aproximar-se de Inês e dialogar com ela, pois tinha medo de dizer o que sentia e de a magoar, ou de ficar ele magoado, mas José esquece-se disso, quando vê o sorriso de Inês ao longe. Este senta-se á beira dela e os dois começam a conversar:
 - Tudo bem, Inês?
 - Comigo está tudo bem, José. E contigo?
 - Bem, estaria muito melhor se…
 - Se o quê?
 - Nada, esquece. Que fazes amanhã?
 - Amanhã vou às compras com a minha mãe, depois vou jantar a casa dos meus primos… porquê?
 - Nada, esquece…
 - Mas o que se passa contigo? Só sabes dizer “nada, esquece”?
 - Comigo não se passa nada…
 - Não me parece que não se passe nada…
 - Está bem, eu digo o que se passa: Amanhã estreia a sequela daquele filme de terror que gosto muito, e não queria ir ver o filme sozinho…
 - Não tens o Coutinho para ir contigo?
 - Tens razão, em certa parte, mas sabes que o Coutinho é um rapaz ocupado…
 - Olha, fazemos assim: Se sair mais cedo do jantar, vou ter contigo, está bem?
 - Como queiras…
 - Mas agora lembrei-me: porque não levas a Rute, a da nossa turma, contigo?
 - Vou chateá-la, agora?
 - Estás-me a chatear a mim…     
 - Ai eu estou-te a chatear? Está bem, hás-de ter muitas oportunidades de ir ao cinema…
 - Desculpa, José, foi só uma força de expressão, tu não me chateias, aliás, eu gosto de estar contigo…
 - A sério?
 - Claro que sim, somos amigos de infância…
 - Se puderes aparecer no cinema, aparece. E sim, vou convidar a Rute…
 - Vês como és um rapaz muito querido?
 - Achas mesmo isso?
 - Acho… e a Rute também vai achar…  
 Nesse momento, chega o autocarro que levava Inês a casa. Esta dá dois beijos na cara ao rapaz e entra no autocarro, deixando o rapaz triste, por não poder passar mais tempo com a sua amada, mas alegre, por saber que ela gosta muito de estar com ele. José convida Rute, para assistir com ele e, possivelmente, com Inês, ao filme e esta aceita.   
  No dia seguinte, o da ida ao cinema, José vai acompanhado de Rute, e quando ia comprar os bilhetes, encontra Inês na fila:
  - Inês, pensava que não vinhas, que bom ver-te…
  - E a Rute, não veio contigo?
  - Está a ver as montras das lojas, mas isso não é importante…
  - E o que é importante para ti?
  - O que é importante para mim hoje é…
  - Então, Inês – proferiu Rute – Pensava que não vinhas!!!
  - É, Rute, desculpa estragar o ambiente romântico aos pombinhos…
  - Pombinhos? – disse José - Ambiente romântico? Nós vamos ver um filme de terror!
  - Pronto, se insistes, vamos ver lá o filme…
  Quando entraram na sala, José queria que Inês se sentasse ao pé dele, e, por isso, guardou o lugar para ela, só que quem chegou primeiro foi Rute. Esta estraga-lhe os planos e senta-se ao pé dele:
  - Que querido, José, guardaste-me o lugar!
  Dito isto, Rute dá um beijo na cara ao rapaz no exacto momento em que Inês entra na sala. Deparando-se com o sucedido, Inês pronuncia:
  - Querem que eu vá para outro lugar, para não vos incomodar?
  - Inês, tu não incomodas, senta-te connosco!
  Inês senta-se á beira de José e Rute, e os três assistem calmamente ao filme, até que chegam as partes mais terríficas do filme. Aí, Rute quase se atira para cima de José, ao passo que está sempre a abraçá-lo. Aí, Inês fica fula e sai da beira deles. José percebe e tenta ir atrás dela, mas em vão. O seu plano para conquistar Inês tinha fracassado. No fim do filme, José procura Inês, encontra-a ao pé de uma loja e vai ter com ela:
   - Inês, tenho que te explicar o que aconteceu…
   - Explicar o quê? Se tu namoras com a Rute, parabéns, estou feliz por ti! Ela é uma rapariga espectacular e merece um rapaz igualmente espectacular, como tu!
   - Eu não namoro com a Rute…
   - Não é o que parece…
   - A sério, eu não namoro com a Rute…
   - Mas para lá caminhas!
   - Inês, escuta: eu gosto de outra rapariga, e não, não é a Rute!
   - Então se não é, trata de não a deixar iludir muito, senão a desilusão dela via ser muito grande…
   - Olha, esquece este assunto, por agora. Queres que te pague uma sandes, ou assim?
   - Uma sandes vinha mesmo a calhar… mas eu pago a minha!
   - Assim seja, meu amor…
   - Que disseste?
   - Nada, esquece.
   - Andas muito enigmático, José. Depois dizem que são as mulheres que não se compreendem!
   - Todas as pessoas têm direito ao seu pequeno segredo, não achas?
   - Pois, mas quando eras pequeno, não me escondias nada…
   - Mas vamos comer umas sandochas, ou quê?
   - Como queiras, zezinho!
   - Quantas vezes já te disse que não quero que me chames zezinho?
   - Desculpa, é o hábito… zezinho!
   Apesar de tudo, José e Inês eram muito amigos. Os dias que se iam seguir iam ser uma prova de ferro para a amizade entre duas pessoas que tinham tudo para serem felizes ao lado uma da outra.                

 CAPÍTULO II


Alguns dias passaram, até que o grande dia chegou. A escola estava engalanada para receber os alunos provenientes da antiga Pérsia. No palco do anfiteatro da escola estavam duas grandes bandeiras: A portuguesa e a iraquiana. Os alunos e alunas da escola estavam em polvorosa para conheces os novos amigos de Bagdade, e eis que chega o momento da chegada dos alunos e do corpo directivo da escola iraquiana. Coube a José o discurso de boas-vindas, em inglês, claro, mas antes desse discurso, José e Inês estavam a conversar, e quando chegou o momento de subir ao palco, José despede-se de Inês e vai caminhando para ele, só que, nesse momento, Inês diz:
 - José!!!
 O rapaz vira-se para trás, e ela, com os polegares levantados, como dando coragem ao rapaz, diz:
 - Estou contigo
 José sorriu, subiu ao palco e discursou. Algumas pessoas ficaram perplexas, ao ver as qualidades linguísticas do rapaz, e Inês sentiu-se orgulhosa por ter motivado José.
 Quando os directores das escolas acabaram os seus discursos baseados, como em todos os discursos nas palavras cooperação e amizade, os alunos entraram em convívio uns com os outros, José vai ter com os seus amigos:
 - Então, o que acharam do meu discurso?
 - És grande, miúdo!!! - disse Coutinho.
 - Bom discurso!!! - Disse-lhe Marley - Sim, senhor. Gostei...
 - Olha que para engatar persas estou cá eu!!! - exclama  Eduardo.
 - Olha, vai discursar para outro lado...
 - Olha que vou mesmo. Onde está a Inês?
 Todos respondem em coro:
 -Não sabemos!!!
 - Eu Já calculava. Vou agradecer á Inês o Apoio que me tem dado...
 Quando José ia ter com a sua Inês, ele depara-se com ela  a falar com um membro da escola iraniana e quando ela o vê, dirige-se para ele dá-lhe dois beijos na face e diz-lhe:
 -José, este é o meu novo amigo, o Amed. Amed, this is José. (Amed, este é o José) Ah! Já agora, parabéns pelo teu discurso!!!
   José estende-lhe a mão, mas o persa abraça-o, dizendo:
 -Salom, José (olá José)
 -Nice to meet you (prazer em conhecer-te) - disse José.
 - José, anda cá, esta rapariga quer-te conhecer - disse-lhe Coutinho.
 - Já vais? - disse-lhe Inês - não queres conhecer  melhor o Amed?
 - Já sabes como é o Coutinho - retorquiu José - xau. Aliás, não é a minha onda conhecer melhor rapazes...
     E dizendo-lhe isto, beijou-lhe a cara e foi ter com o seu melhor amigo.
 - Então, onde está a rapariga? - questionou José
 - Não está em lado nenhum, só te trouxe para aqui para não servires de velinha...
 - Velinha? - perguntou José - velinha porquê?
 - Não viste como o Amed olhava para a Inês ?
 - Eu estive lá e não notei nada de estranho...
 - Porque tu és demasiado bonzinho, ele está é á espera do melhor momento para se atirar á Inês....
 -Tretas, lá porque embirras com a Inês não quer dizer que ela esteja apaixonada por... aquilo
 - Espera e verás - disse-lhe Coutinho
   Nisto, José sai da beira de Coutinho e, quando passa á beira de Inês e Amed, vê-os abraçados e aí lembra-se das palavras de Coutinho e sai dali a chorar.
   José corre pelo corredor da escola, para encontrar uma "toca" para se esconder.  Maltes percebe o que se passou e vai ter com o rapaz, para falar com ele.
   - Que se passa, José!!!
   - É a Inês, Marley, ela é uma cabra....
   - Eu não acredito que tu estás a chorar por causa de uma mulher...
   - Olha, Marley, quando te tocar a ti, não te queixes...
   - Tem calma, José tu não sabes o dia de amanhã...
   - Não, Marley, essa conversa outra vez não...
   - Essa conversa sim, José. Tu não sabes o que te vai acontecer daqui a cinco minutos, pode te cair um minimetiorito na cabeça e...
    Nesse momento, José perde as estribeiras e manda um soco na cara de Marley, e diz:
    - Cala-te, Marley, eu estou farto disso, FARTO!!!
    Marley, já no chão, diz:
    - Mas queres um conselho, desiste da Inês...
    José, irado, manda-lhe um pontapé.
    - Cala-te!!! - e dito isto, José sai. Mais á frente, esbarra-se contra o assistente do director da escola de Bagdade, que trazia duas chávenas de café numa bandeja, repreendeu José em árabe, este pediu-lhe desculpa, mas o Sr. Hussein (o nome do assistente) continuou o seu caminho a refilar. José olhou para ele e disse.
   - Gente mal educada, nem aceitou o meu pedido de desculpas...mas aquele Hussein é um bocadinho esquisito... o meu dia está a correr bem... primeiro a Inês, depois...Isto...é que estou todo molhado de café!!! vou mas é para casa mudar de roupa...
      Nisto aparece outra Iraquiana, que lhe pergunta:
   - Por acaso não viste o Amed, pois não?
   - O Amed, porquê?... mas tu...falas português?
   - É o meu curso. Então o Amed.
   - Queres mesmo saber?
   - Claro !!!
   - Então cá vai: ele está abraçado a uma rapariga no anfiteatro...
   - O quê !!!
   - Foi o que tu ouviste...
   - O Amed não me podia fazer isto...
   - A Inês também não... mas tu gostas dele ?
   - Sim, muito .
   - Ás vezes a vida é injusta.
   - É, mas seja o que Alá quiser. Mas afinal, como te chamas?
   - José, e tu
   - Jhazim. Prazer em conhecer-te.
   José, voltava a atravessar a cidade, como muitas vezes o tinha feito anteriormente, mas não tão triste como estava agora. Um condutor descuidado quase atropelava o rapaz. Este refilou, mas José seguiu o seu caminho sem ligar às provocações. Chega a casa. A sua mãe estanha a presença do seu filho tão cedo em casa e questiona o rapaz:
   - Filho, que estás aqui a fazer?
   O filho não respondeu. A mãe fica cada vez mais preocupada e volta a interrogar o filho:
   - Que se passa, José? Porque é que estás assim sujo?
   - Cala-te! - Disse o rapaz.
   - Olha, perguntar não ofende, e eu não te admito que trates assim!
    José não lhe ligou e bateu fortemente com a porta do quarto, sem ligar á mãe. Aí, mudou de roupa, e voltou a fazer o caminho para a escola.
    Na escola, a atitude de Inês surpreendeu todos, a começar pela melhor amiga, Vânia, que rapidamente a questiona:
    - O que é que foi aquilo, com o árabe?
    - Nada! – Replica Inês – só o cumprimentei…
    - Ai chamas aquilo cumprimentar, não é? Eu já ouvi chamar muita coisa, mas agora cumprimentar!
    - Tu é que estás a ver coisas onde não existem, aquilo foi um simples abraço…
    - Mas parece que o José não gostou muito desse simples abraço!
    - Eu quero que o José se lixe, percebes?
    - Será?
    - Olha, cala-te com isso!!!
    - Olha, está bem. Mas agora, diz-me: O que achas do Almeida, ou do Arménio, ou lá como ele se chama…
    - Chama-se Amed, Vânia, Amed. É um rapaz interessante, mas não comparado ao No…
    - Ao José!
    - Ao Juca, aquele tipo que conheci no ginásio, ele é tão giro!
    - Está bem, vou fingir que acredito…
   Depois de chegar á escola, José é informado que no último dia de visita vai haver um baile de despedida no polivalente da escola.
   Coutinho, vendo que o rapaz estava um pouco abatido, aproxima-se dele e conversa com ele:
   - Que se passa, miúdo?
   - Nada, Coutinho, nada…
   - Nada? Eu conheço-te, José, estás com uma cara de que as coisas não correram bem! Diz qualquer coisa!
   - Eu digo, mas, por favor, não digas “eu avisei-te”!
   - Depende do que for…
   - É a Inês…
   - O que é que se passa?
   - Ela… ela e aquele parvalhão iraquiano… eles namoram!
   - Vais-me desculpar, mas eu avisei-te!
   - Importas-te de ser mais compreensivo comigo?
   - Desculpa-me, José, mas vais ter de me ouvir: Eu quantas vezes te disse que ela não quer nada contigo? Agora ela arranjou outro e estás para aí!
   - Grande amigo que me saíste!
   José sai para longe de Coutinho lavado em lágrimas. José vê Marley, já com curativos e aproveita para conversar com ele:
   - Olha, Marley, queria-te pedir desculpa, por causa daquilo de há pouco...
   - Na boa, José. Tu estavas furioso, por causa da Inês, e eu incomodei-te com as minhas conversas chatas, e descarregaste em mim. Desculpas aceites...
   - Obrigado, Marley. Pensava que ia perder um amigo meu por causa de parvoíces...
   Dito isto, os dois abraçam-se emocionadamente.
   - Por acaso não viste a Inês?
   - Porquê, vais convida-la para o baile?
   - Claro. Se a quero conquistar, é natural que a queira convidar para o baile...
   - Então vai, e boa sorte!
   - Obrigado!
   Dito isto, José vai procurar Inês. Ele estava muito confiante. Tinha a certeza absoluta que ela ia aceitar ser o par de José no baile. “ Vamos lá, José, tu consegues” Era a frase que entoava na consciência do rapaz. José encontra Inês sozinha. Ele vai ter com ela e diz:
   - Inês, tenho uma proposta irrecusável a fazer-te.
   - Diz lá, então!
   - Eu queria convidar-te para o baile que vai haver no dia em que os iraquianos forem embora...
   - Isso é amável da tua parte, mas...
   - Mas...
   - Mas o Amed convidou-me... e eu aceitei. Espero que não e importes, se tu viesses mais cedo, era contigo que eu ia, a sério... desculpa!!!
   - Na boa!!! Xau!!! 
Esta revelação deixa José triste, mas não o quis mostrar isso á frente da rapariga. Mais á frente encontra Jhazim, e vai chorar no ombro dela:
    - A Inês não me liga nenhuma...
    - Tem calma, José: O Amed também não me liga nenhuma, e eu não estou assim... Mas olha, tenho uma boa cura para esse teu mal: Queres ser o meu par no baile? Assim aproveitamos, e fazemos ciúmes aqueles dois...
    - Tens razão: Não posso estar assim por causa dela: A partir de agora, minha cara amiga és o meu par no baile!!!
    Entretanto, chega Coutinho, que pede a José para falar com ele a sós, proposta que José aceita.
    - O que queres? – Questiona José.
    - Vim ver como é que estavas, depois de saberes daquilo que aconteceu entre a Inês e o Iraquiano…
    - Como é que querias que eu estivesse? Depois de ver aquilo, só me apetecia matá-los… aos dois…
    - Mas eu vejo que tu não perdeste tempo… Como se chama?
    - Quem?
    - A rapariga com quem tu estavas?
    - Ah! Essa, ela chama-se Jhazim…
    - Nome bonito… e quê, é namorada, ou nem por isso?
    - Nem por isso, Coutinho…
    - Fazes mal, depois do que te aconteceu com a Inês, tu devias era arranjar uma rapariga para ti…
    - Tu não me fales dessa… traidora! Ela desiludiu-me muito, hoje…
    - Mais uma questão, Zé, como é que estás para o baile?    
    - Não achas óbvio? Vou com a Jhazim…
    - Isso está a ficar sério…
    - E se te calasses com isso? Depois do que me aconteceu hoje, fica registado que eu não quero assumir nada sério com raparigas!
    - Assim é que é, Zezinho, foi a coisa mais acertada que disseste até hoje…
    - Engraçadinho! Bem, que fazes?
    - Agora, vou jogar futebol, com amigos meus. Queres vir, também?
    - Se não for incómodo…
    E assim, José esqueceu por momentos a sua vida sentimental desastrosa, quando viu a bola rolar, e começou a correr atrás dela. A preocupação com o resultado do encontro relegava Inês, Jhazim, Amed e outros para segundo plano, bem, apenas por alguns minutos, já que passado pouco tempo, surge Inês, que rapidamente chama o rapaz, e este vai ter com ela!
    - O que é que se passa? – Questiona José - Sempre aceitaste o meu convite?
    - Não, mas acho que vais aceitar um que te vou fazer!
     - Chuta!
     - Eu queria que tu viesses comigo ao cinema, hoje á noite, ou não tens tempo?
     - Eu para ti tenho sempre tempo, Inês!
     - Boa! Ainda bem!
     - Outra pergunta: Vai alguém contigo?
     - Sim vem: O Amed!
     A resposta de Inês caiu como uma bomba no coração de José, despedaçando-o completamente. Aí, a conversa entre os dois mudou de tom.
     - O Amed, sempre o Amed… já estou a ficar farto, Inês!
     - O que é que se passa, José?
     - O que se passa é que não aguento mais esta situação!
     - O Amed fez alguma coisa que tu não gostasses?
     - Não, mas eu não vou com a cara dele!
     - Não sei se já percebeste, mas estás a fazer comentários racistas!
          - Não tem nada a ver com racismo, Inês! Só não confio nele! Olha, sabes que mais?
      - Que foi?
      - Acho que não vale mais a pena sermos amigos!
      - Estás doido?
      - Nunca estive tão lúcido na minha vida! Agora sei em quem posso contar…
      - Tu podes contar comigo, José, para tudo!
      - Penso que não é bem assim!
      - Não me podes fazer isto sem um motivo forte…
      - Olha, eu não quero falar mais, senão digo qualquer coisa de qual me vá arrepender mais tarde, portanto, se não te importares, vai-te embora!
      - Estás a ser tão injusto, José – diz Inês, já lavada em lágrimas – Tu não sabes quanto!
      - Eu só sei é que foste uma grande desilusão para mim. Até sempre!
      - Tu vais te arrepender do que me estás a dizer agora, e aí estarei pronta para te perdoar!
      Inês ausenta-se inconsolavelmente. José solta uma lágrima, mas limpa-a rapidamente. José prepara-se para ir embora, quando Coutinho vai ter com ele:
      - Já vais embora? – Interroga Coutinho.
      - A minha mãe ligou-me. Tenho que ir.
      - Passa-se alguma coisa lá em casa?
      - Não, porquê?
      - Estás com uma cara, que parece que viste um fantasma!
      - Coisas de família, nada de mais. Até amanhã!
      - Xau, puto!
      Durante essa noite, José estava desesperado e preocupado. Na cabeça dele, ecoavam a perguntas: “Será que a Inês nunca mais me quer ver á frente?” “Será que ela saiu mesmo com o Amed?” “O que é que ela estará a fazer com ele?” Resolveu deitar-se, mas as dúvidas não o deixavam dormir. Até que recebe uma mensagem de Rute, que lhe pergunta se quer sair com ele. O rapaz levanta-se, veste-se vai ter com ela. “Seria uma boa ideia sair com outra rapariga, para não estar a pensar constantemente na Inês”, foi isso que José pensou. Finalmente encontrou Rute, sentada num banco de jardim. Quando o vê, esta levanta-se rapidamente e vai ter com o rapaz.
           - Ainda bem que me ligaste, Rute – profere José – já estava atrofiar em casa…
       - A atrofiar? – Questiona Rute – porquê?
       - Olha, Rute: Há dias em que uma pessoa sai de casa, mas no fim desse dia, uma pessoa reflecte e acha que não deveria ter saído de casa…
       - E hoje foi um desses dias, presumo…
       - Vês como és uma pessoa inteligente?
       - Mas afinal o que se passou, José?
       - Olha, foi a Inês… zanguei-me com ela…
       - Mas o que se passou, afinal?
       - Ela anda metida com o Amed, sabes, aquele iraquiano, que chegou aqui hoje, e até agora não a largou…
       - É impressão minha, ou estás com ciúmes?
       - Outra vez? Olha, Rute: eu só não vou com a cara daquele gajo, só isso…
       - Como tu dizes, eu sou uma pessoa inteligente, e não vou na tua conversa…
       - Está bem, eu rendo-me: Estou com ciúmes!
       - Finalmente admites! Mas diz-me uma coisa: Sentes ciúmes é da Inês, não é?
       - Não… ia ser do Amed… Claro que é da Inês!
       - Tu… gostas dela?
       - Para ser sincero, sim. Eu gosto muito da Inês, aliás, eu amo-a. Ela é gira, eu gosto de estar com ela, é espectacular como pessoa… Mas se ela anda sempre com aquele iraquiano, eu não consigo mostrar-lhe o que sinto e isso deixa-me destroçado, e é por isso que eu lhe respondo torto… Mas tu não digas nada a ninguém!
       - Está descansado a minha boca é um túmulo.
       - Obrigado, Rute. És uma grande amiga, sabias?
       - Estou sempre pronto a ajudar as pessoas de quem gosto muito… Vamos a um bar?
       - Como queiras, Rute. Tirei a noite toda para estar contigo…
       Entretanto, na outra ponta da rua, o director da escola iraquiana está a passear nas ruas da cidade, com a sua melhor aluna, Jhazim. Estão a ter uma conversa calma, mas em árabe, até á altura em que um carro tresloucado avança em alta velocidade contra Abdul e Jhazim. A rapariga desvia o seu director para fora da faixa de rodagem. O carro trava bruscamente, e com muita sorte não atropela a rapariga. O veículo dá meia volta e foge. José e Rute, caminhando para o local do sucedido, apercebem-se que o carro vai na sua direcção. José puxa Rute para o passeio, evitando que esta seja derrubada pelo bólide. Depois disto, a rapariga diz:
     - Obrigado José. Salvaste-me a vida…
     - De nada, Rute. Estes condutores, hoje em dia, não têm noção de segurança. Arriscam as suas próprias vidas e as vidas dos outros…
     - José, José! – brama Jhazim – Não viste um carro desvairado a passar por aí?
     - Sim, ele quase ia atropelar a Rute. Porquê?
     - É que quase colhia-me a mim e ao director da minha escola…
     - Também? É o que eu digo! Já ninguém respeita o código da estrada… Mas está tudo bem contigo, Jhazim?
     - Felizmente, está.
     - Ainda bem. Queres vir a um bar connosco?
     - Pode ser…
     Então, José, Jhazim e Rute retomaram o seu caminho até ao bar. A meio do caminho, encontram Hussein a falar irado, ao telefone, o que deixou os três intrigados. Até que finalmente chegam ao tal bar. E para espanto de todos, entre a multidão estavam Inês e Amed a conversar animadamente.
      - Podemos ir embora – disse Rute – não tens o direito de ver isto…
      - Não faz mal, Rute, eu sou superior a isso tudo.
      - Tens a certeza? – Questiona-o Jhazim – é que daqui a pouco, o ambiente fica um pouco estragado!
      - Já disse que não! Eu fico aqui! Este sítio é público, portanto, não vou abdicar de passar uma boa noite ao lado de duas raparigas espectaculares, por causa de uma… vocês percebem-me, não percebem?
      - Como queiras, José, mas ficas por tua conta em risco!
      E foi num clima de cortar á faca, por entre olhares revoltados entre José e Inês, que mais um dia passou. O que parecia uma bela história de amor, revelou-se um conflito bastante agreste, entre dias pessoas que tinham tudo para ser felizes.


CAPITULO III

     Mais alguns dias passaram. José continuava de costas voltadas a Inês. Ela não compreendia porque o seu amigo não lhe ligar nenhuma, e pensava que Jhazim lhe tinha dado a volta á cabeça. Ela queria aproximar-se dele, mas a iraquiana estava sempre no seu caminho. E quando não estava, era José que a evitava. A rapariga já estava a ficar fula com as atitudes de José, prova disso, foi a conversa que ela teve com a sua amiga Vânia:
    - Aquele José tira-me do sério!!! - exclamou furiosa a rapariga.
    - O que é que ele te fez agora? - questiona Vânia.
    - É ele, que prefere a companhia daquela iraquiana á minha...
    - Eu nunca pensei que tu tivesses ciúmes do José!!!
    - Isto não são ciúmes!!! Pára com essas coisas!!!
    - Olha, por falar em ciúmes, como está a relação com o persa?
    - Ele chama-se Amed. Aliás, ele é o meu par no baile, só isso...
    - Já pensaste que é por causa desse "par no baile", que o José está assim?
    - Lá estás tu com essa mania da perseguição, o José nunca gostou de mim, ele disse-mo...
    - Ás vezes as pessoas são obrigadas a dizer coisas que, na realidade, não querem dizer...
    - Olha, cala-te!!!
    E dito isto, sai da beira da amiga. Ao ver passar José, Vânia intercepta-o:
    - Olha, José, preciso de falar contigo...
    - Diz lá!!!
    - Eu reparei em certos olhares que lançavas á Inês...
    - O que é que queres dizer com isso?
    - Eu quero que sejas sincero comigo...
    - Tu podias ir directa ao assunto...
    - Olha... tu gostas da Inês?
    - Quem é que inventou isso?
    - Ninguém inventou nada, José, eu só reparei em certas manias tuas, e cheguei a esta conclusão...
    - Pois chegaste mal á tua conclusão, eu nunca gostei da Inês...
    -  Olha que amigos teus não me dizem isso...
    -  Raios!!! Que é que se descoseu?
    -  Ah! Sempre é verdade!!!
    -  Tu sabes como levar uma conversa a teu favor... pronto, eu admito, eu gosto da Inês, mas tu não lhe podes dizer nada
    - Não te preocupes. A minha boca é um túmulo... está descansado...
    - Espero bem que sim, Vânia, espero bem que sim...
    Nisto, José vai-se.
    O dia do baile chegou e, para espanto de todos, José e Jhazim aparecem de mão dada na escola, e as reacções foram diferentes: do "És grande, miúdo" de Coutinho á enorme crise de ciúmes de Inês, que não demorou a fazer isto:
   - Então arranjaste namorada para as arábias, não foi?
   - Ela não é minha namorada, para com essas parvoíces.
   - Não, não, para andares de braço dado  com essa ...
   - Com essa o quê, Inês, eu não te disse nada quando estavas para aí aos abraços com aquele...
   -  Não vais chamar nomes ao Amed, porque eu não vou deixar...
   -  Eu também não vou deixar que mal trates a minha amiga...     
   - Essa rapariga deu-te mesmo a volta á cabeça, já não és o José que eu conhecia...
   - Tu é que não és a Inês que eu conhecia, desde que aquele parvalhão do Amed se atravessou no meu caminho, nunca foste aquela rapariga simpática que eu conhecia...
   - Vai-te lixar, José... nunca mais me dirija a palavra, percebeste?
   - Igualmente, Inês. Com licença...
Nesse momento, José, exasperado, sai com Jhazim pelos braços e vão para a beira do Conselho Executivo. Coutinho, que assistira àquilo tudo detém Inês:
   - Tu és tolinha?
   - Não te estou a perceber!
   - Está bem, que tu estejas chateada com ele, Inês, mas embirrar com ele, sempre?
   - Embirrar? Com quem?
   - Olha-me esta, com quem? Com o José, com quem mais havia de ser?
   - Eu não conheço nenhum José, Coutinho…
   - Estás a ser muito estúpida, sabias?
   - Não tão estúpida como ele tem sido comigo!
   - Mas que é que ele te fez?
   - Evita-me! E eu não lhe dei razões para isso!
   - Será?
   - O que é que queres insinuar com isso?
   - Uma coisa muito simples: Ele está desiludido contigo, por causa de tu teres começado a namorar o Amed!
   - O quê?
   - Sim, é isso.
   - Então diz ao teu amiguinho que não tenho nada com Amed, pode estar descansado!
   - Diz-lhe tu!
   - Pronto, se tanto insistes, eu digo-lhe.
   E dito isto, Inês ausenta-se.
   Entretanto, José e Jhazim encontram-se sentados á porta do conselho executivo da escola: José estava fulo, por causa da sua discussão com Inês:
   - Realmente o Coutinho tem razão: Ela não me merece!
   - Não sejas assim com ela!
   - Ela faz-me o que faz e ainda pedes para não ser assim com ela?
   - Pronto, pronto. Não falemos mais sobre isso!  
 De repente, ouvem uma conversa de Hussein com uma pessoa desconhecida:
   -  Tu é que me podias traduzir o que eles estão a dizer - disse José.
   -   Não!!!
   -   Não o quê, Jhazim?
   - O que o Hussein está a dizer é "No baile, o Abdul (o director da escola) e os Alunos que estarão vão ter uma surpresa"
   -    O que queres dizer com isso?
   -    Vai acontecer uma acontecer qualquer coisa no baile. Aquele Hussein não me inspira confiança.
   -    A mim também...
   -    Vês ?
   - Olha, Jhazim, tira fotografias, pode ser preciso...
   - Entendido, José.
  E a rapariga assim o fez. José conta o que ouviu aos amigos e a reacção é esta:
   -    A tua namoradinha já te está a por coisas na cabeça... tu sabes como os muçulmanos são - exclamou Coutinho.
   - Talvez seja assim, tens razão... Ah! Já agora, ela não é minha namorada, Coutinho...
   - Não é o que eu vejo por aí...
   - Cala-te!!!
     José não levou a sério o que Jhazim disse, e contou tudo á rapariga:
   - O quê? Não te esqueças que o meu curso é de português, José, e, modéstia á parte, eu sou a melhor aluna da turma, ou seja, raramente me engano nas minha traduções, e não te admito que questiones a minha capacidade de tradução...
  - Não foi isso que eu quis dizer, Jhazim...
  - Olha, já agora, bem podes ir sozinho ao baile, não quero ir com alguém que desconfia de mim...
 José estava agora metido em muitos maus lençóis: Tinha se zangado a sério com a sua Inês, por causa se Jhazim, e esta, que era a sua única aliada para conquistar Inês, também se tinha zangado a sério com o rapaz, por causa de parvoíces. Mas, o destino, como a vida, também dá muitas voltas. Inês, quando Amed lhe contou uma anedota sem graça sobre portugueses, teve esta reacção:
  - Olha que engraçadinho!!! Espero que também aches graça a ires sozinho ao baile, porque é isso que vai acontecer...
  Inês sai dali furiosa e, mo meio do corredor da escola, esbarra-se em José:
  - Tu não vês por onde andas, Inês... Inês? Inês, espera!!!
  A rapariga vira-se para trás, e repara em José.
  - Desculpa, José, eu vinha distraída e embati em ti...
  - Desculpa tu, Inês, por ter te dito aquelas coisas á pouco...
  - Eu também te queria pedir desculpa por isso... Eu disse coisas sem pensar e ofendi-te a sério... desculpas?
  - Claro que desculpo!!!
  - Ainda bem que não acabamos a nossa amizade por causa de devaneios... olha, eu já não vou com o Amed ao baile e... esquece, José, tu vais com a Jhazim, não vai dar na mesma...
  - Eu não vou com á Jhazim a lado nenhum, Inês!!!
  - Então, ainda queres ir comigo ao baile?
  - Eu sempre quis, Inês...
  Nesse momento, os lábios dos dois quase se tocavam, e se beijavam, só que Inês afasta-se e, embaraçada, diz:
  - Então apareces ás oito, na minha casa?
  - Combinado!!!
  José ficou eufórico, mas um pouco desiludido pelo facto de não ter beijado a sua amada. Num ápice, foi procurar os amigos, mas o que encontrou foi Hussein a ter uma conversa esquisita, mas em português, ao telemóvel.
  - Nada pode falhar, hoje... o velho tem que cair... O resto? Acaba-se com eles...
 José ficou ainda mais intrigado com esta situação. Hussein não dizia ser quem realmente era e, por isso, José tinha de andar de olho nele. Mas, o que importava agora, era transmitir os amigos a boa nova do baile, e de Inês. Encontrou-os no campo de futebol e rapidamente foi ter com eles...
  - Rapazes, finalmente consegui!!!
  - O quê? - disse Eduardo - Saiu-te o Euro milhões?
  - Melhor que isso!!! Esta noite, o meu para o baile é...
  - Aquela árabe - interrompeu Coutinho - como é que ela se chama, Zezinho?
  - Essa árabe, como tu dizes, é passado, a minha nova companheira é... A Inês!!!
  Todos ficaram admirados, mas contentes, pela felicidade do rapaz!!!
   - Parabéns!!! - exclama Marley - eu sabia que conseguias...
   - Eu sabia que ela não ia aguentar muito tempo sem ti. - retorquiu Coutinho.
   - Cuidado!!! - Dizia Lucas - Não faças nada que eu não aprove!!!!
   - É isso, Lucas - conclui Eduardo.
   - Não se preocupem, eu não tenho más intenções com a Inês...     
A noite chegou e José apresenta-se á mãe com o smoking que a ela lhe comprou para a ocasião.
    - Estou ou não estou bonito?
    - Tu, para mim, és sempre bonito - disse-lhe a mãe - mas hoje estás mais... não venhas tarde!!!
    - Está bem, mãe. Não te preocupes, eu venho cedo!!!
    - Até logo... e dá um beijinho á Inês!!!
    José sorri á mãe e sai de casa.
    Daí, foi para casa de Inês. Bate á porta e em tom de brincadeira, diz:
     - Princesa!!! O teu príncipe encantado chegou!!!
     Inês abriu a porta graciosamente, o que deixou José fascinado. Ao abrir a porta, José reparou nas sandálias negras, que escondiam os seus pés, o seu vestido, cor do céu, e dos seus olhos, que lhe ficava pelos joelhos. O seu cabelo negro estava solto, e esvoaçava ao sabor do vento. Tudo isto deixava o rapaz completamente louco de amores.
      - Tu hoje estás tão...
      - Linda? Eu sei. Tu também estás muito giro...
      - Mas isso não é novidade nenhuma: Vamos?
      - Vamos?
      José e Inês não tiveram de andar muito até chegar á escola.
    O ambiente era um ambiente típico das festas de jet set com os directores das escolas muito bem-dispostos.
    Ao entrar, José foi saudado por todos os seus amigos, e ele retribui os comprimentos.
    Hussein estava tenso e nervoso, mas não escondia o sorriso na cara quando Abdul lhe dirigia a palavra. Nada fazia Abdul desconfiar que algo de mau acontecesse.
    Jhazim viu José e, num ápice, foi ter com ele:
    - Olha, José, eu queria pedir-te desculpas por aquilo de há pouco...
    - Desculpas? Tu humilhaste-me!!! Se não fosse a Inês, eu tinha vindo sozinho ao baile, ou nem tinha vindo. Por isso, sai daqui, ou já queres estar com pessoas que desconfiem de ti?
    Jhazim sai cabisbaixa da beira de José. Inês percebe o que se passou e pergunta ao rapaz:
    - Era preciso falar assim com ela?
    - Ela fez de mim parvo, Inês, e eu não merecia... é melhor não continuarmos a falar disto, porque não me quero zangar a sério contigo...
    - Está bem, José. Onde é que nos sentamos?
    - Escolhe tu, Inês!!!
    - Não, José, escolhe tu, tu é que me convidaste...
    - Faço questão, Inês: Escolhe tu o lugar, afinal, tu é que és a convidada...
    - Já que tanto insistes, vamos para ali!!!
   José e Inês estavam numa mesa para dois. O tempo passava, e o coração de José palpitava cada vez mais forte. Quando o ambiente romântico envolveu José, ele ganhou coragem e disse a Inês:
    -  Inês, tenho uma coisa para te dizer:
    -  Sou toda ouvidos...
    -  Eu...eu...eu amo-te, pronto, já disse!
    -  Eu não estava á espera disto, José...
    -  E então?
    -  Então o quê?
    -  Então, em que ficamos?
    -  Então... olha, o discurso do director...
    -  Está bem, ajudas muito, tu!!! Então vou á casa de banho e quando tiveres uma decisão, avisa-me
     José vai á casa de banho e encontra lá empregados de Karting  amordaçados. José tira-lhes as mordaças e eles dizem-lhe:
    -   Terroristas... polivalente... matar... director iraquiano. José fica atónito com esta revelação. Afinal era o tal plano maléfico que Hussein tinha contra Abdul. Todos os seus amigos estavam em perigo, inclusive a própria Inês 
    No polivalente, durante o discurso do director, Hussein dá um sinal aos falsos empregados e estes sacam das armas que têm debaixo do avental e dizem:
     - Ninguém se mexa, ou eu disparo!
      O pânico estava instalado no meio dos alunos. Inês estava preocupadíssima com José, pois ainda não tinha voltado da casa de banho, e pensava que lhe podia ter acontecido o pior:
      - Ele ainda não o voltou da casa de banho... e se eles o apanharam... e se eles... Inês, Não penses nisso...   
     As imagens do que acontecia já passavam na CNN e daí, no resto do mundo. A mãe de José, ao ligar a televisão, e ao ver o que se estava a passar na escola do seu filho, ficou preocupada e aflita:
     - O meu filho!!!

CAPÍTULO IV


 José estava metido numa grande embrulhada. Mais uma de muitas que aconteceram ultimamente, mas esta era a mais difícil da sua vida. Por um lado, ele queria sair e safar a sua pele. Por outro, ele queria entrar no polivalente e resgatar os seus amigos. Bem, havia terroristas por todo o lado, por isso a saída era completamente impossível.
   Os terroristas viraram-se para Abdul e disseram:
   - É melhor começares a rezar, pois não vais durar mais...
   - O que é que vocês querem...
   - Tu és um político importante no Iraque, há pessoas que te querem ver pelas
costas... e muitas estão mais perto de ti do que tu pensas...
   -  Hussein, faz qualquer coisa...
   - Você acha que eu posso fazer alguma coisa...
   Na porta da escola , estavam dois terroristas para garantir que ninguém sairia. José apareceu por lá e disse aos guardas:
    - Aposto que não me conseguem apanhar
    - Ai não? Isso é o que vamos ver - dito isto, lançou-se para o jovem, mas não o apanhou. Os terroristas andaram á procura de José por toda a escola, remexeram tudo, menos a sala das arrumações, onde José estava. De entre muitas coisas sem utilidade para o momento, José encontrou uma viga de madeira. Depois de muitos esforços para não ser alcançado os fundamentalistas apanharam-no e quando já se estavam para fazer a folha ao jovem, este lembra-se da viga de madeira e disse-lhes:
     - Olha ali - e ajoelhando-se disse - Alá, Alá...
     Os terroristas viraram-se para trás e ele pega na viga e dá-lhes na nuca. Os dois ficam inconscientes, são amarrados e postos na sala. Depois disto, num ar de desabafo, disse:
     - O fundamentalismo islâmico lixou-os...e salvou-me... e agora?
     Agora chegou para José um momento que todos na vida temos. Em que nos aparece um anjo de um lado e o diabo pelo outro. Por um lado ele já podia fugir, ficando indiferente com as possíveis mortes dos seus amigos, e, principalmente de Inês, mas com um enorme peso na consciência. Por outro, ele podia entrar naquela sala, contar o que sabe sobre os responsáveis daquele ataque e arriscar a sua vida para salvar a vida dos seus amigos.  A escolha era difícil, mas dela dependiam muitas vidas, inclusive a sua. O jovem rapaz não sabia o que fazer, mas o destino deu-lhe um sinal: Quando ouviu a voz de um terrorista a dizer "caros senhores: a escola está nas mãos do movimento islâmico da guerra santa. Algum movimento brusco e sereis todos fuzilados" aos microfones no polivalente, José soltou um "Isso é que vamos ver" e decidiu entrar e ser o "salvador da honra do convento" , ou melhor, da escola.
    No polivalente, tudo está em estado de choque.  Abdul tem uma arma apontada á cabeça, pensava já que só um milagre o salvaria, mas não sabia quais as razões de isto acontecer, e diz:
    - Não sei porque me estão a fazer isto...
    - És um dos aliados dos infiéis... e mereces morrer, assim como todos os infiéis aqui presentes...
    Esse era o momento previsto para a morte de Abdul, mas, do telhado, cai um terrorista e, partindo um vidro das janelas, entra José amarrado a uma corda e tira a metralhadora da  mão do fuzileiro que se ia encarregar do assassinato do ministro. Todos ficam espantados com o que estava a acontecer, nunca pensaram que José fosse capaz de enfrentar um grupo de terroristas:
     - Mas o que é isto - dizia Marley.
     - Tu não és grande, José - gritava Coutinho - és enorme!!!
     - Não pode ser!!! - dizia espantado Eduardo - Não é o nosso Zezinho!!!
     - Sai daí, moço!!! - gritava Lucas.
     - Inês, olha para cima!!! - replica Vânia.
     - O meu herói!!! - dizia Inês.
´    Em casa, a mãe de José sentia-se orgulhosa pelo seu filho, mas preferia que ele estivesse são e salvo, e não em risco de vida, como estava.
      - O meu filho!!! - dizia a chorar a progenitora de José.
      No polivalente, esta atitude de José apanhou de surpresa toda a ceita islâmica, mas as intenções do grupo eram irredutíveis, custasse o que custasse.
      - Matem-no!!! - gritava o seu chefe.   
     O disparos começam a surgir de todos os lados, mas nenhum conseguiu atingir o jovem. passado poucos minutos, os terroristas ficaram sem balas nas armas, que provocou uma luta " corpo a corpo" entre José e os fundamentalistas. José já aprendera Karaté, há uns aninhos, e aplicou os seus conhecimentos para vencer os fundamentalistas. No meio das lutas reconheceu um homem. Era o homem que nessa manhã tinha estado a falar com Hussein no C.E. Os muçulmanos radicais fugiram, pois acharam que José era um protegido de Alá, e, por isso, invencível. Foi aí que Abdul foi ter com o rapaz e disse-lhe :
     - Tu és um herói, salvaste-me a vida. Como te chamas, rapaz?
     - José, mas, se faz favor, tenho uma coisa a dizer: Já agora, a sua vida ainda não está salva..
     José dirigiu-se ao palco e, como improvisando um discurso, disse:
     -  Antes de mais saúdo-vos e gostei de vos ver a todos, meus amigos, sãos e salvos. E queria desde já pedir desculpa á Jhazim, por não ter acreditado nela. E agora vou fazer uma revelação. Eu sei quem meteu os terroristas cá dentro. e essa pessoa está aqui.
      As pessoas começaram a olhar umas para as outras, e foi quando José disse :
      - Não foi, Hussein.
      Toda a gente ficou atónita com esta revelação. O director da escola ia ser traído pelo seu próprio assistente, mas este depressa recusou todas as acusações.
      - Eu não sei do que este rapaz está a falar... deve ser fruto da imaginação dela...
      - Então vai negar isto. E dizendo isto mostrou-lhe fotografias da conversa da manhã com o terrorista - E se calhar aquele café tinha veneno para matar o director, a sorte é que eu pude evitar isso...
       - Pois tens razão, eu quero matar o director, pois estou farto de estar em segundo plano...
      Dizendo isto, tirou a pistola das calças e atirou sobre Abdul, mas José desvia-o e, por sorte, não é atingido, mas,  caprichosamente, a bala aloja-se no peito de... Inês. José olha para trás e vê o amor da sua vida a cair como morto no chão. O seu vestido azul ficou com uma enorme mancha vermelha de sangue. José não consegue conter as lágrimas ao ver Inês desfalecida, e vai prontamente assisti-la:
        - Inês, não me deixes...
        - José...
        - Não fales, não gastes forças...
        - Gosto muito de ti...
        - Eu também, mas não morras...
        - Adeus, José...
        - Isto não é um adeus, Inês, eu sei...
        Com esta frase, os olhos de José soltaram uma lágrima, que caiu na face de Inês, e esta  fecha os olhos, mas o coração continuava a bater. Aí. ele decide estancar o sangue para que não aconteça o pior.Com o desespero, José não aguenta e beija a boca de Inês:
          - Não morras, meu amor, não morras... - Gritava desesperado o rapaz.
          Depois disto, vira-se para Hussein e diz-lhe:
          -  Se ela morrer, eu mato-te.
        E dizendo isto, mandou um pontapé á mão onde Hussein tinha a pistola, e depois esmurra-o, deixando-o todo ensanguentado, A raiva consumia toda a alma de José, só que Hussein, com os pés, trava José, deixa-o no chão, pega na pistola e diz:
         -  Já atrapalhaste demais os meus planos, pirralho, agora diz adeus, mas olha o lado positivo, vais ter a companhia da tua amiguinha...
          Quando Hussein já estava a premir o gatilho, José  olha para Inês inconsciente e pensa no que fez durante a vida, mas o inesperado acontece. Abdul imobiliza Hussein, e tenta tirar-lhe a pistola:
           - Não diz a deus coisíssima nenhuma, Hussein!!! - diz Abdul - Dá-me a pistola!!!
           - Mato-o a ele, e depois mato-te a ti...
           - Dá-me a pistola, Hussein!!!
           - Nunca!!! Enquanto não acabar a minha missão, não a largo!!!
           A confusão instala-se entre os dois e ouve-se um tiro. Foi Hussein que acertou num seu braço. Foi aí que a polícia entrou e prendeu Hussein. Ela já tinha detido os terroristas em fuga e foi a pedido de José que ela apareceu lá . O pior já tinha passado para os alunos da escola, mas não para Inês:
            - Mil obrigados, meu jovem!!! - disse Abdul - serás agraciado por mim, agora...
            José voltava para a beira de Inês, e ajoelhando-se perante ela, disse:
            - Se eu não te tivesse trazido, tu não estarias assim!!! - disse José, lamentando-se - EU AMO-TE, INÊS, NÃO ME DEIXES...
            - Não te preocupes!!! - disse um polícia - ela vai ficar bem!!!
            - Anda, jovem, disse Abdul...
            - Não vou a lado nenhum!!! - disse o jovem - Eu vou com a Inês para o hospital!!!
            - Mas...
            - Mas o agraciamento pode esperar...
 Inês foi imediatamente transportada para o hospital,  em risco de vida, José acompanhou-a imediatamente, dispensando as honras de estado que a escola lhe ia oferecer.
          José chegou ao hospital. Nervoso e com medo que acontecesse alguma o pior a Inês. Ele nunca se perdoaria se ela morresse. A mãe de Inês chegara ao hospital, e vendo o rapaz, pergunta-lhe:
           - Como é que está a minha filha?
           - Não sei de nada...
           - José, vai para casa, depois aviso-te do estado de saúde dela...
           - Desculpe, mas enquanto não souber coisas dela, eu não me vou embora...
           - A tua mãe está muito preocupada contigo...
           - Eu já falei com ela, não se preocupe...
           - Tu... gostas muito da Inês, não gostas?
           - Nota-se assim tanto? Ela é muito especial para mim...
           - Sabes uma coisa? Ela também gosta muito de ti!!! Ela está-me sempre a falar de ti...
           O Médico acaba de entrar na sala de espera, com um ar sisudo. José estava ainda mais nervoso, ao aproximar do médico, ficava cada vez mais amedrontado e tinha medo que anunciasse o pior.
            - Os acompanhantes da Inês. - exclama o Médico.
            - Nós!!! - dizem a mãe de Inês e José.
            - Bem!!! - diz o médico - o que eu vos tenho a dizer é que a bala alojou-se muito perto do coração, mas sem atingir nenhum órgão vital... acertou numa costela!!!
            - Uff!!! - diz José - o perigo já passou!!!
            - Não é bem assim!!! - retorquiu o médico - É preciso extrair a bala, e como eu disse, a bala está muito perto do coração, por isso esta operação vai ser de alto risco... um pequeno erro, e pode-lhe acontecer pior... mas não te preocupes, vai tudo correr bem.
            As horas passavam, e a impaciência de José aumentava. Não conseguia estar quieto, enquanto a operação não acabasse. De súbito, aparece o médico com mais notícias.
           - Então, senhor doutor, como está a Inês?
           - Bem, a operação...
           - A operação...
           - A operação correu muito bem, mas a recuperação vai ser longa...
           O coração de José finalmente acalmou. A sua princesa estava bem e ele, finalmente, tinha motivos para sorrir.      

CAPÍTULO V

       A saúde de Inês melhorava de dia para dia e José acompanhava essa situação, mas ela não podia ver José, pois estava em coma induzido. José sentia-se com remorsos. Se não tivesse desviado Abdul, Inês não teia levado um tiro, e não estaria naquela cama.
         No dia em que é previsto que Inês acordasse do coma, José aparece no hospital com um ramo de flores, mas, da janela do quarto, vê Inês a dar um beijo um rapaz e sai de lá a chorar e nunca mais lá aparece.
         No dia em que Inês tem alta do hospital, a primeira coisa que faz é ligar a José, pois sabe que ele esteve sempre com ele desde o dia do atentado, mas ele não lhe responde, por se sentir magoado. Depois vai ter a casa dele, mas a mãe não a deixou entrar "o meu filho não te quer ver", dizia ela . Mais á frente, encontra o telemóvel do rapaz, que tem como wallpaper uma fotografia dele abraçado a uma rapariga. vendo a caixa das mensagens, vê uma mensagem onde ele marca um encontro com ela no parque. A tal rapariga manda uma mensagem a confirmar o encontro, mas Inês, com o telemóvel dele, manda-lhe uma mensagem a desmarcar o encontro, ficando ela a ser a "convidada".Quando Inês chega lá, vê José ao pé do lago, e, tapando os olhos ao rapaz, disse:
         - Quem sou, José ?
         -  Vera, és tu?
         -  Qual Vera, qual quê !!! Mudei muito a voz desde o atentado ?
         -  I...I...Inês ?!?
         - A mesma. Eu passei por tua casa e...
         - E a minha mãe não te disse que não te queria ver...
         -  Sim, disse, mas porquê isto ?
         -  Olha, vai dar beijinhos ao...
         -   Ao meu irmão ??
         -   Teu irmão ?!?
         -    Sim, mas qual é problema ??
         -   É que eu pensei que...
         -   Pronto, estás perdoado. Agora uma coisa. Eu encontrei isto...
         -   O meu telemóvel, fixe. Obrigada.
         -   Agora explica-me. Quem é esta no wallpaper ? E porque é que marcaste um encontro com ela aqui ?
         -   Esta é a minha prima. E eu marquei um encontro com ela aqui, porque queria escolher com ela a prenda para os anos da minha tia. Mas porque é que estás com este interrogatório. Por acaso não estás com ciúmes, pois não ?
          -  Não, mas tu estás com ciúmes do meu irmão, ainda por cima...
          -  Eu não estou com ciúmes...
           E a discussão continuou. A certa altura, os olhos dos dois fixaram-se um no outro e José aproveita a altura para dizer a Inês o que sente.
          -  Inês...
          -  Aquilo que disseste depois de levares o tiro é...
          -  É quê ?
          -  É verdade ?
          -  Eu alguma vez te menti ?
          -  Não, mas...
          -  Mas nada. Eu amo-te, e agora amo-te mais depois de me teres salvado a vida...
          -  Eu também te amo, Inês. Tu queres ser minha...
          -  Namorada ?
          -  Não, minha amante!!! Claro que é namorada !!!
          -  Isso pergunta-se ? É claro que quero !!!
          Nesse momento José e Inês beijam-se. José tinha finalmente conquistado Inês, o seu maior sonho tinha sido concretizado.
           - Sabias que este é o melhor dia da minha vida? - disse José.
           - Não te preocupes, José, também é o meu melhor dia de toda a minha vida...
           - Eu amo-te Inês. Sabias?
           - Eu também te amo, José. Nada me vai separar de ti...
           De súbito, o telemóvel de José toca:
           -  É a Jhazim!!! - diz José.
           -  O que é que ela quer, ainda não te deixou ?
           -  Não, antes pelo contrário. Ela e o Amed também andam!!!
           -  Fixe!!!
           O amor é realmente a força mais poderosa do mundo, vencendo a própria guerra, e quer aqui, quer no Iraque tem o mesmo significado. O amor de José e Inês ainda agora começou. resumindo: O AMOR É LIIIIIINDOOOOO

JORGE MACHADO



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