O RENDER DOS VILÕES:
Personagens:
· Oliveira Caetano, Presidente de Portugal
· Marcelo Salazar, assistente de Caetano
· Margarida Caetano, mulher de Caetano
· Carina Salazar, mulher de Marcelo
Espaço: Palácio de S.Bento (Lisboa)
Lisboa,Portugal, 2060. 30 anos antes, em 2030, um golpe de estado levado a cabo por militares acaba com o regime parlamentar democrático e isntaura um regime militar. Com o passar do tempo, o regime militar tornava-se cada vez mais terrível e, em 2050, outro golpe de estado organizado por Neosalazaristas é bem-sucedido. O seu líder, o doutor Oliveira Caetano assume as funções de Presidente da Répública e Presidente do Concelho (ou 1º ministro). O seu projecto era restaurar a PIDE e a guerra colonial, bem como outras caractrísticas do Estado Novo. O seu principal aliado era o engenheiro Marcelo Salazar, que assumiu funções como chefe das Forças Armadas, mesmo sem ir á tropa. O país estava mergulhado numa fria e sangrenta guerra cívil, pela liberdade.
MS- senhor presidente...
OC- Ó Marcelo, tu sabes que não quero que me chames de "senhor presidente", quando estamos sózinhos. Afinal somos ou não somos amigos ?
MS- Pois, desculpa, estáva a ser sarcástico, Caetano.
OC- Bem, vamos ao que interessa. Como é que estamos de agenda hoje ?
MS- Ui! Caetano, tens o dia cheio de reúniões...
OC- Mais um dia chato, da vida chata de um chefe de estado chato. Que tédio!!!
MS- Bem, vê isto pelo lado positivo. Se não tivéssemos implantado um regime ditatorial, o teu dia aínda ía ser mais chato...
OC- Porquê, que dia é hoje?
MS- Hoje é o dia 25 de Abril, segundo os democratas este é o dia da Liberdade...
OC- Liberdade, a grande utopia do século. Por isso é que acabámos com ela.
MS- Isto é a mehor parte. A pior do dia era de manhã aturar os deputados na Assembleia da República e á tarde ainda ter de aturar a "gentinha" na tua residência oficial. Teres as criancinhas a estragar o esplêndoroso jardim de S. Bento, teres as velhas raquíticasa dizer: "Olhe, posso tirar uma fotografia com o senhor Primeiro- ministro..." Até me soa mal dizer "Primeiro - ministro"... soa-me a democrata...
OC- Olha, por falar em democrata, como vão as nossas tropas em Portugal?
MS- Olha, vão de vento em polpa. O Porto está nas nossas mãos!!!
OC- Boa!!!
MS- Agora vem a notícia menos boa. Vai ser muito difícil entrar no Minho. Aquela escumalha Neoliberal que estava no Porto passou-se para lá. Vão ser mais forças contra nós, mas já temos as nossas "toupeiras" no terrreno, prontas a "sacar" informações.
OC- É bom para ti que estejam. O Minho é um território importante para nós, não o quero perder. E já agora, qual é a nossa situação nas nossas col... províncias ultramarinias?
MS- Bem, as nossas posseções em África estão controladas, mas...
OC- Mas o quê?
MS- Perdoa-me a ousadia, mas não achas um bocadino complicado reocupar o Brasil?
OC- O Brasil foi nosso e há-de ser nosso nosso outra vez, nem que tenha de ir lá eu... para o Brasil já, e em força!!!
MS- Outro problema é que estamos a perder demasiado dinheiro nestas guerras, e demasiadas vidas...
OC- Quanto á falta de soldados, vou fazer uma nova tentativa de pedir ajuda á Inglaterra, afinal são ou não são os nossos velhos aliados? Quanto á falta de dinheiro, para que é que serve o nosso off shore na Costa Rica?
MS- Pronto, quando saírmos daqui, vou providenciar isso.
(toca o telemóvel de Caetano)
OC- Residência do Presidente de Portugal, bom dia... O QUÊ???... pegaram em tanques... MULHERES... vêm para aqui... mas como... não quero que abras fogo, afinal são mulheres... o que eu quero é que chames aqui a líder... até já (desliga) .
MS- Afinal, o que se passa?
OC- (irónico) Então está tudo bem, o país está sob controlo...(desesperado) e meia duzia de mulheres vêm para aqui com tanques para dar cabo de nós...
MS- (ri-se) Essa tem miuta graça, mas o dia das mentiras foi á 24 dias... conta outra...
OC- (sério) Estou com cara de riso, por acaso?
MS- Desculpa, mas estás a levar as coisas muito a sério!!! As mulheres mal sabem estrelar um ovo, quanto mais guiar um tanque...
OC- Nem parece que tens uma mulher em casa!!! Tu não sabes como elas são? Quando elas metem uma coisa na cabeça, são capazes de... nem quero pensar... a sorte é que já apaziguei as coisas... vem cá a líder falar comigo (batem á porta) olha , deve ser ela (abre a porta) Tu!!!
(entra Margarida Caetano)
MC- O quê, já não reconheces a tua mulher?
OC- Não, isto deve ser uma brincadeira, de muito mau gosto, diga-se de passagem... então, a minha mulher, líder de um grupo de revoltosas...
MC- Não é brincadeira nenhuma, chu-chu...
OC- Traidora!!!
MC- Lutadora, isso sim!!!
OC- Mas, eu não percebo a vossa situação. Eu sempre dei todo o tipo de regalias ás mulheres, até pus mulheres nas altas patentes das forças armadas...
MC- Mas não nos deste o essencial: A liberdade, por issso é que estamos aqui...
OC- E quais são as vossas exigencias, digam lá...
MC- O fim da PIDE, o fim da censura, o fim da guerrra cívil e colonial, basicamente, o fim da ditadura...
OC- (bate com o punho na mesa) Isso, nunca!!!
MC- Pois bem, quando eu saír daqui, isto tudo vai pelos ares...
OC- Isso era o que eu queria ver!!! Vocês mal sabem mexer numa faca, quanto mais mexer num tanque...
MC- Para tua informação, quem nos guiou até aqui foi um grupo de militares revoltosos...
OC- (surpreso) O quê? militares (olha para Marcelo)
MS- Não olhes para mim, eu não tenho nada a ver com issso...
OC- Olha, se fosses outra mulher qualquer, eu dava-te ordem de prisão e ías ser torturada, quiçá assassinada, mas, como és minha mulher e, acima de tudo, 1º dama de Portugal, quero evitar escândalos, por isso vou-te deixar ir.
MC- Só por isso?
OC- Por isso e porque... te amo... e muito.
MC- (põe a mão na barriga e olha para ela) Vês, filhote, o papá disse que gostava muito de ti e da mamã, não nos vai acontecer nada...
OC- (como se estivesse a continuar a sua conversa) Mas estás á...(surpreendido) tu disseste... filhote?
MC- Sim, foi o que ouviste... estou grávida de um filho teu, embora não merecesses...
OC- Isso é a melhor notícia que me poidias dar hoje... olha, Marcelo, avisa todo o país que a partir de hoje, acabou-se a censura, acabou-se a PIDE, acabaram-se as guerras e acabou-se a ditadura, aliás, já não sou o Presidente de Portugal. Ah! já agora, entrega o dinheiro do off shore ás vítmas da guerra...
MC- Tu estás a falar a sério?
OC- Sim. eu quero que o meu filho cresca em liberdade.
MC- Ó Caetano, eu amo-te (beja-o)
(Marcelo pega numa pistola)
MS- (irado) Mas vocês estão a brincar comigo?
OC- (amedrontado) Ou,ou, o que é isso, Marcelo?
MS- Vão acabar com o império português por causa de um pirralho? Não!!! Antes acacbo convosco!!!
(entra Carina)
CS- Caetano!!!
MS- Chu-chu... aqui?
CS- O que estás a fazer com uma pistola na mão, seu desgraçado...
MS- (amedrontado) Eu juro que não estava a fazer nada!!!
CS- Já para casa!!!
MS- Mas...
CS- Nem mas, nem meio mas, já para casa!!!
(Carina sai com Marcelo pelos braços)
OC- SSS... Sai, cão!!! Nunca pensei que fosse a mulher do Marcelo que mandasse em casa... mas, agora, nós.
MC- Diz lá...
OC- A quem devo entregar o poder?
MC- Não entregues o poder ás mulheres... Entrega ao povo português, esse merece o poder...
OC- Então vais ser tu...
MC- Eu?
OC- Sim, tu!!! Tu hoje defendeste a liberdade com unhas e dentes, ninguém melhor que tu para ocupar este lugar...
MC- Antes de mais, obrigado. És um querido (dá-lhe um beijo na cara)
(Caetano e Margarida começam a saír de cena)
OC- Então, de quantos meses estás grávida?
MC- De dois, por isso é que ainda não tenho barriga...
OC- E já pensaste no nome?
MC- Se for rapaz, vai-se chamar Caetano, como o pai, se for rapariga, ela vai ter um nome especial...
OC- Como assim, qual vai ser...
MC- Maria.
OC- Maria é um nome normal.
MC- Não, Maria da Liberdade.
OC- É impressão minha, ou as mulheres estão a tomar conta do mundo?
MC- Vai-te habituando á ideia, chu-chu!!!
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