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terça-feira, 19 de outubro de 2010

O RENDER DOS VILÕES:

Personagens:
·                 Oliveira Caetano, Presidente de Portugal
·                 Marcelo Salazar, assistente de Caetano
·                 Margarida Caetano, mulher de Caetano
·                 Carina Salazar, mulher de Marcelo

Espaço: Palácio de S.Bento (Lisboa)

Lisboa,Portugal, 2060. 30 anos antes, em 2030, um golpe de estado levado a cabo por militares acaba com o regime parlamentar democrático e isntaura um regime militar. Com o passar do tempo, o regime militar tornava-se cada vez mais terrível e, em 2050, outro golpe de estado organizado por Neosalazaristas é bem-sucedido. O seu líder, o doutor Oliveira Caetano assume as funções de Presidente da Répública e Presidente do Concelho (ou 1º ministro). O seu projecto era restaurar a PIDE e a guerra colonial, bem como outras caractrísticas do Estado Novo. O seu principal aliado era o engenheiro Marcelo Salazar, que assumiu funções como chefe das Forças Armadas, mesmo sem ir á tropa. O país estava mergulhado numa fria e sangrenta guerra cívil, pela liberdade.

MS- senhor presidente...

OC- Ó Marcelo, tu sabes que não quero que me chames de "senhor presidente", quando estamos sózinhos. Afinal somos ou não somos amigos ?

MS- Pois, desculpa, estáva a ser sarcástico, Caetano.

OC- Bem, vamos ao que interessa. Como é que estamos de agenda hoje ?

MS- Ui! Caetano, tens o dia cheio de reúniões...

OC- Mais um dia chato, da vida chata de um chefe de estado chato. Que tédio!!!

MS- Bem, vê isto pelo lado positivo. Se não tivéssemos implantado um regime ditatorial, o teu dia aínda ía ser mais chato...

OC- Porquê, que dia é hoje?

MS- Hoje é o dia 25 de Abril, segundo os democratas este é o dia  da Liberdade...

OC- Liberdade, a grande utopia do século. Por isso é que acabámos com ela.

MS- Isto é a mehor parte. A pior do dia era de manhã aturar os deputados na Assembleia da República e á tarde ainda ter de aturar a "gentinha" na tua residência oficial. Teres as criancinhas a estragar o esplêndoroso jardim de S. Bento, teres as velhas raquíticasa dizer: "Olhe, posso tirar uma fotografia com o senhor Primeiro- ministro..." Até me soa mal dizer "Primeiro - ministro"... soa-me a democrata...
 
OC- Olha, por falar em democrata, como vão as nossas tropas em Portugal?

MS- Olha, vão de vento em polpa. O Porto está nas nossas mãos!!!

OC- Boa!!!

MS- Agora vem a notícia menos boa. Vai ser muito difícil entrar no Minho. Aquela escumalha Neoliberal que estava no Porto passou-se para lá. Vão ser mais forças contra nós, mas já temos as nossas "toupeiras" no terrreno, prontas a  "sacar" informações.
   
OC- É bom para ti que estejam. O Minho é um território importante para nós, não o quero perder. E já agora, qual é a nossa situação nas nossas col... províncias ultramarinias?

MS- Bem, as nossas posseções em África estão controladas, mas...

OC- Mas o quê?

MS- Perdoa-me a ousadia, mas não achas um bocadino complicado reocupar o Brasil?

OC- O Brasil foi nosso e há-de ser nosso nosso outra vez, nem que tenha de ir lá eu... para o Brasil já, e em força!!!

MS- Outro problema é que estamos a perder demasiado dinheiro nestas guerras, e demasiadas vidas...

OC-  Quanto á falta de soldados, vou fazer uma nova tentativa de pedir ajuda á Inglaterra, afinal são ou não são os nossos velhos aliados? Quanto á falta de dinheiro, para que é que serve o nosso off shore  na Costa Rica?

MS- Pronto, quando saírmos daqui, vou providenciar isso.

(toca o telemóvel de Caetano)

OC- Residência do Presidente de Portugal, bom dia... O QUÊ???... pegaram em tanques... MULHERES... vêm para aqui... mas como... não quero que abras fogo, afinal são mulheres... o que eu quero é que chames aqui a líder... até já (desliga) .

MS- Afinal, o que se passa?

OC- (irónico) Então está tudo bem, o país está sob controlo...(desesperado) e meia duzia de mulheres vêm para aqui com tanques para dar cabo de nós...

MS- (ri-se) Essa tem miuta graça, mas o dia das mentiras foi á 24 dias... conta outra...

OC- (sério) Estou com cara de riso, por acaso?

MS- Desculpa, mas estás a levar as coisas muito a sério!!! As mulheres mal sabem estrelar um ovo, quanto mais guiar um tanque...

OC-  Nem parece que tens uma mulher em casa!!! Tu não sabes como elas são? Quando elas metem uma coisa na cabeça, são capazes de... nem quero pensar... a sorte é que já apaziguei as coisas... vem cá a líder falar comigo (batem á porta) olha , deve ser ela (abre a porta) Tu!!! 

(entra Margarida Caetano)

MC- O quê, já não reconheces a tua mulher?

OC- Não, isto deve ser uma brincadeira, de muito mau gosto, diga-se de passagem... então, a minha mulher, líder de um grupo de revoltosas...

MC- Não é brincadeira nenhuma, chu-chu...

OC- Traidora!!!

MC- Lutadora, isso sim!!!

OC-  Mas, eu não percebo a vossa situação. Eu sempre dei todo o tipo de regalias ás mulheres, até pus mulheres nas altas patentes das forças armadas...

MC- Mas não nos deste o essencial: A liberdade, por issso é que estamos aqui...

OC- E quais são as vossas exigencias, digam lá...

MC-  O fim da PIDE, o fim da censura, o fim da guerrra cívil e colonial, basicamente, o fim da ditadura...

OC- (bate com o punho na mesa) Isso, nunca!!!

MC- Pois bem, quando eu saír daqui, isto tudo vai pelos ares...

OC- Isso era o que eu queria ver!!! Vocês mal sabem mexer numa faca, quanto mais mexer num tanque...

MC- Para tua informação, quem nos guiou até aqui foi um grupo de militares revoltosos...

OC- (surpreso)  O quê? militares (olha para Marcelo)

MS- Não olhes para mim, eu não tenho nada a ver com issso...

OC-  Olha, se fosses outra mulher qualquer, eu dava-te ordem de prisão e ías ser torturada, quiçá assassinada, mas, como és minha mulher e, acima de tudo, 1º dama de Portugal, quero evitar escândalos, por isso vou-te deixar ir.

MC-  Só por isso?

OC-  Por isso e porque... te amo... e muito.

MC- (põe a mão na barriga e olha para ela) Vês, filhote, o papá disse que gostava muito de ti e da mamã, não nos vai acontecer nada...

OC-  (como se estivesse a continuar a sua conversa) Mas estás á...(surpreendido) tu disseste... filhote?

MC- Sim, foi o que ouviste... estou grávida de um filho teu, embora não merecesses...

OC- Isso é a melhor notícia que me poidias dar hoje... olha, Marcelo, avisa todo o país que a partir de hoje, acabou-se a censura, acabou-se a PIDE, acabaram-se as guerras e acabou-se a ditadura, aliás, já não sou o Presidente de Portugal. Ah! já agora, entrega o dinheiro do off shore ás vítmas da guerra...

MC- Tu estás a falar a sério?

OC-  Sim. eu quero que o meu filho cresca em liberdade.

MC-  Ó Caetano, eu amo-te (beja-o)

(Marcelo pega numa pistola)

MS-   (irado) Mas vocês estão a brincar comigo?

OC-    (amedrontado) Ou,ou, o que é isso, Marcelo?

MS-   Vão acabar com o império português por causa de um pirralho? Não!!! Antes acacbo convosco!!!

(entra Carina)

CS- Caetano!!!

MS- Chu-chu... aqui?

CS- O que estás a fazer com uma pistola na mão, seu desgraçado...

MS- (amedrontado) Eu juro que não estava a fazer nada!!!

CS-  Já para casa!!!

MS- Mas...

CS-  Nem mas, nem meio mas, já para casa!!!

(Carina sai com Marcelo pelos braços)

OC-  SSS... Sai, cão!!! Nunca pensei que fosse a mulher do Marcelo que mandasse em casa... mas, agora, nós.

MC- Diz lá...

OC-  A quem devo entregar o poder?

MC-  Não entregues o poder ás mulheres... Entrega ao povo português, esse merece o poder...

OC-  Então vais ser tu...

MC-  Eu?

OC-   Sim, tu!!! Tu hoje defendeste a liberdade com unhas e dentes, ninguém melhor que tu para ocupar este lugar...

MC-  Antes de mais, obrigado. És um querido (dá-lhe um beijo na cara)
(Caetano e Margarida começam a saír de cena)

OC-  Então, de quantos meses estás grávida?

MC-  De dois, por isso é que ainda não tenho barriga...

OC-   E já pensaste no nome?

MC-   Se for rapaz, vai-se chamar Caetano, como o pai, se for rapariga, ela vai ter um nome especial...

OC-   Como assim, qual vai ser...

MC-  Maria.

OC-  Maria é um nome normal.

MC-  Não, Maria da Liberdade.

OC-   É impressão minha, ou as mulheres estão a tomar conta do mundo?

MC-  Vai-te habituando á ideia, chu-chu!!!


JORGE MACHADO

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