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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Noite

11 da noite
Desço as ruas
de uma cidade qualquer
e na penumbra da noite
vejo tudo acontecer
olho para um lado
vejo imponência
olho para o outro
vejo impotência
continuo a andar
continuo a olhar
vejo um grupo de crianças
no parque a brincar
mais á frente vejo
uma pêga oferecida
com o desejo ardente
de voltar a ser despida
vejo um  homem que já
via tudo a dobrar
a aproximar-se da moça
só para importunar
mais uma volta
tropeço numa caixa de cartão
um sem-casa insulta-me
pois era o seu "casarão"
finalmente, chego ao café
onde os amigos me esperam
e contam as novas
"fresquinhas" que me trouxeram
no fim de tudo, fui-me
e vi tudo outra vez
com a mesma repugnância
e a mesma lucidez
dizem que a noite
"é a mãe da desgraça"
mas é só uma amostra
no que neste mundo se passa.

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