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terça-feira, 19 de outubro de 2010

CHUVA

Vejo a chuva a caír
suave, da minha janela
no meio da escuridão,
assisto serno áquela
água correntia,
que levava tudo o que via
levava o sorriso da criança
que queria na rua brincar,
levava o emprego do homem
que só queria trabalhar.
Levava um ninho de roxinois,
que pela vida estavam a lutar,
levava o pão
que ao trabalhador custou a ganhar.
Levava a música
que um homem compôs
levava do camponês
o último prato de arroz.
Levava do sem - abrigo
a sua paquena mansão,
levava da rapariga
a sua última paixão.
Levava a sua carta
cheia de sentimento
e trazia ao seu coração
o mais penoso tormento.
Levava a vida da idosa
que na cama esperava o fim,
levava o sonho do jovem,
que mais longe queria chegar e assim,
vendo aquele cenário
triste, de tédio e dor,
que mais parecia sáido
de um filme de terror,
ao ver aquilo tudo,
queria ver coisas mais amenas,
só depois percebi
que era CHUVA, apenas.  

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